quinta-feira, 26 de maio de 2011

Salton Volpi Pinot Noir

Redondinho
Feito com uvas cultivadas no município de Bagé, na Campanha Gaúcha (RS), região que vem demonstrando bom potencial para uvas tintas, o Salton Volpi Pinot Noir é para se beber sem medo. Após a fermentação em barricas de carvalho francês, ele fica por ali mesmo, descansando em contato com madeira e as leveduras por um ano.

Experimentei a safra 2009 com 13,7% de teor alcoólico. Olha, já fazia um tempo que queria experimentar esse vinho e em recente visita à vinícola, surgiu a oportunidade.
De cor rubi claro, transparente, reflexos granada, apresenta aromas de frutas do bosque, como morangos e framboesas bem madurinhos, também se percebe anis e algo vegetal. Muito agradável e fácil de beber. Não é um vinho exuberante, mas mostra boa persistência na boca e muito equilíbrio. Pronto para beber.


O preço na vinícola não passa de R$ 40, mas como é difícil achar esse vinho no Rio de Janeiro. E quando acha, meu amigo, o preço extrapola os R$ 70 facilmente.


Como um ritualzinho de vez em quando não faz mal a ninguém, resolvi dar uma moral pra ocasião e preparei um massa pra acompanhar. Coisa boba, cabelinho de anjo com tomate seco e cebolas douradas no azeite. Não é que caiu bem? 
A foto não tá lá essas coisas, mas liga não, gente, é só uma bossinha pra mostrar que eu também frequento o fogão.

9 comentários:

Alexandre disse...

Gostei dele sim, mas já acho caro a 40 reais.

A 70 então é um tiro na cara. Te recomendo experimentar o RAR Pinot Noir, nesta mesma faixa de preço. Ou, ainda, talvez dê para comprar algum Pinot catarinense.

Um abraço!

Claudia Holanda disse...

É , Alexandre, pode crer, ta caro mesmo.
Vou experimentar o RAR.
Abraços!

Oswaldo disse...

Sinceramente, pior que o preço é o teor alcoólico, que quando ultrapassa 13% tende a comprometer a delicadeza e sutileza que são as marcas registradas dessa uva. Acima de 13.5%, viram pinot noirs para paladares novo mundo, o que me parece uma afronta à natureza da uva. Não tem porque, num clima ameno e chuvoso como o gaúcho, os pinots serem alcoólicos como os andinos. Isso é provável indício de chaptalização. Para um exemplo de como deveriam ser os pinots brasileiros, basta provar os pinot noirs do Marco Danielle. Desculpem o desabafo, Claudia e Alexandre, mas acho vocês dois muito legais, e se não for desabafar com vocês, não sobra ninguém (rs).

Claudia Holanda disse...

:) Olha, Oswaldo, eu ainda num to convencida que Pinot Noir se dá bem no Brasil, como vem se dando,por exemplo, a Merlot.
Quanto ao teor alcoolico, a Pinot costuma dar vinhos com uma boa alcoolicidade... Nao é incomum superar a casa dos 13%, o q dá até uma certa maciez.
Eu tb nao gosto dos vinhos muitos alcoolicos, com aquela cara de vinho Novo Mundo pra agradar paladares mais desatentos. Mas até os 13,7% nao compromete, nao desequilibra, mas nao é um vinhaço.

E pode desabafar à vontade, Oswaldo. Esse blog não é o Vaticano. Tamo aqui mesmo pra conversar, discordar, aprender, e tudo mais...
Beijao

Oswaldo disse...

Legal! É que, no meu entender, o álcool tende a ser proporcional ao açúcar e inversamente proporcional à acidez, de maneira que os vinhos de clima frio tendem a ter menos álcool e mais acidez (portanto são freqnetmente chaptalizados), enquanto que os vinhos de clima quente tendem a ter mais álcool e menos acidez (portanto são frequentemente acidificados, como quase todos os Andinos). O modelo "clássico" de pinot noir da Borgonha tende a ter álcool baixo e acidez mais elevada. As versões novo mundo, para agradar os paladares novo mundo, colhem as uvas mais tarde, com maior concentração de açúcar, uma prática diferente da Borgonha, onde seria arriscado demais esperar a entrada do outono. No Rio Grande, as condições estão mais para Europa do que Andes, o que muito frustra nossos produtores, invejoso do sucesso internacional dos vizinhos junto aos paladares infantis. :) Tudo isso pra dizer que, pra mim, 13.7% é não só demais, como má fé! :)

Oswaldo disse...

Fui olhar no site da Mistral os teores alcoólicos de diferentes safras e apelações do Hubert de Montille, um dos mais venerados e clássicos produtores da Borgonha (aparece muito no filme Mondovino):

Volnay Premier Cru 2004 (Domaine de Montille)
Produtor: Domaine de Montille
Safra: 2004
Teor Alcoólico: 12%

Pommard 1er Cru "Les Pezerolles" 2006 (Domaine de Montille)
Produtor: Domaine de Montille
Safra: 2006
Teor Alcoólico: 12,5%

Corton Renardes Grand Cru 2004 (Deux Montille)
Produtor: Deux Montille
Safra: 2004
Teor Alcoólico: 13%

Bourgogne rouge 2007 (Domaine de Montille)
Produtor: Domaine de Montille
Safra: 2007
Teor Alcoólico: 12%

São vinhos extremamente longevos e delicados ao mesmo tempo. Esse grau de álcool vem associado a uma boa acidez natural, que propicia o envelhecimento harmonioso. Não estou dizendo que a gente deve copiar a Borgonha, mas a vocação climática da Serra Gaúcha está mais pra lá do que pros Andes.

Claudia Holanda disse...

ksksk Oswaldo, me rendo, me rendo.
Os pinots da Borgonha tendem para a elegância. Essa mania de colocar o teor alcoolico nas alturas é coisa do Novo Mundo e tb nao me agrada.
Poxa, mas má fé?
Creio que podem mesmo ser vinhos chaptalizados, prática permitida e que rola solto...

Oswaldo disse...

Tem toda razão, nã dá pra chamar de má fé colocar $ acima da arte, senão não haveria capitalismo; pequei por excesso de retórica. A verdade é que acho divertido ser meio xiita a favor dos vinhos naturais [como você talvez lembre daquela conversa que tivemos sobre os vinhos de má fé (rs) do Vale do S. Francisco].

Claudia Holanda disse...

ksksks, figura!
Sei.. me lembro bem desse papo sobre os vinhos do Vale